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Sábado, 01/11/2014 - Hoje é dia de Iemanjá ( Nossa Senhora da Conceição ) Deusa e Rainha do Mar. Contas cristal.


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Manifestações Folclóricas

Foi em 1842 que apareceu, pela primeira vez, em forma impressa, a palavra folclore. Foi William John Thoms, sob pseudônimo de Ambrose Merton quem sugeriu em artigo publicado na revista Atheneum que o termo folclore substituísse o que se chamava na Inglaterra de Antiguidade Popular ou Literatura Popular.
Desde então, a palavra folclore recebeu diferentes significados que têm sido modificados e melhorados. Alguns especialistas dizem ser a palavra folclore, um dos termos mais utilizados no mundo. No entanto, considera-se folclore como a expressão da maneira de pensar, sentir e agir de um povo.
A Bahia é, sem dúvida, um dos estados que mais valoriza as manifestações públicas do folclore. São festas religiosas ou não, procissões, jogos, danças e representações que exteriorizam as crenças e os costumes de um povo alegre e muito místico. A grande maioria dessas manifestações são religiosas ou tiveram origem em práticas de fé católica ou africana. Mas, existem também aquelas que apresentam os costumes dos escravos, a resistência contra a escravidão, a cultura indígena e muito mais.
As manifestações folclóricas funcionam como berço da arte e cultura baiana, pois permitem a criação e recriação das suas formas de representação. Em contrapartida, a cultura produzida a cada dia alimenta, enriquece e renova as antigas tradições, tornando-as cada vez mais atrativas.
Não se pode pensar somente em Salvador quando se fala em manifestações folclóricas baianas pois em todo o estado pode-se encontrar, ao longo do ano, particulares formas de manifestação da alma do povo baiano. Se Salvador tem o Carnaval e a Festa do Bomfim, Cachoeira tem as Damas da Boa Morte, Santo Amaro tem o Maculelê, Armação tem a Puxada de Rede, Uauá tem o Reisado, São Félix tem o Samba-de-Roda...
Sem dúvida, a Bahia é o grande berço brasileiro da cultura popular e o seguro recanto das tradicionais manifestações folclóricas que caracterizam e contam a história deste país.
 

Ternos e Ranchos - Os Reisados

São manifestações religiosas que louvam e homenageiam o nascimento de Jesus, acontecendo do Dia de Reis, 6 de janeiro. É formado por "pastores" e "pastoras" que caminham pelas ruas cantando e dançando com o destino simbólico a Belém. O Terno é tido como uma manifestação mais séria e conta com a participação de representantes de classes favorecidas como estudantes. Seus integrantes desfilam vestidos de indumentárias prateadas e brancas com detalhes azuis ou vermelhos. Nos Ternos a música é acompanhada por instrumentos de sopro com ritmos de pandeiros e castanholas.
O Rancho é integrado por pessoa modestas e simples, por isso tende a ser mais liberal e alegre. Seus integrantes vestem-se como os dos Ternos, mas adicionam-se à música violas e violões.
Os chamados donos dos Ternos ou Ranchos são os seus organizadores, pessoas de reconhecido respeito e consideração na comunidade. São eles que escolhem os participantes do evento, planejam o desfile, dirigem os ensaios, providenciam o figurino, arrecada fundos para a realização da festa e tudo o mais.
Os Ternos e Ranchos são comuns na capital Salvador, mas no interior do estado tudo é chamado Reisado e mantém todas as características dos Ternos e Ranchos da capital. O Reisado é realizado em 45 municípios baianos como manifestação oficial, principalmente na zona rural, como em Alagoinhas, Canavieiras, Nazaré, Rio Real, Jequié e Santo Amaro.
 

Bailes Pastoris

Como os Reisados, os Bailes Pastoris,também chamados Presépios, exaltam o nascimento de Jesus, mas diferente daqueles, constituem-se de dramatizações de episódios religiosos como a Anunciação, o Nascimento de Jesus e a Visita dos Pastores. São realizados na frente dos presépios das igrejas na Noite de Natal enquanto se espera a Missa da Meia-Noite. Seus integrantes vestem-se de pastores, cantam e louvam o nascimento de Cristo como faziam os pastores da Idade Média.
Os Bailes Pastoris são tradicionais em Salvador onde há um grupo de jovens do bairro da Lapinha que se apresenta todos os dias 25 de dezembro na Praça da Sé. No interior do estado destacam-se cidades como Sapeaçu , Gentio do Ouro, São Félix, São Francisco do Conde e outros municípios que preservam uma manifestação religiosa tão antiga.
 

Puxada-de-Mastro

É uma manifestação religiosa característica das cidades do sul e Extremo-Sul do estado da Bahia.
A Puxada-de-Mastro consiste na retirada de um grande e pesado tronco de uma mata o qual é conduzido (puxado) até um pedestal onde é fixado. Na maioria dos casos, o tronco é grande o suficiente para exigir que dezenas de homens juntem suas forcas para locomovê-lo. O esforço é parte do sacrifício que se faz ao santo homenageado.
O mastro hasteia o estandarte do santo homenageado na ocasião e antecede a realização de missas solenes encerrando as novenas de orações. Em Olivença nas proximidades de Ilhéus, o mastro sustenta o estandarte de São Sebastião que é fixado na frente da Igreja de Nossa Senhora da Escada, no mês de janeiro. Em Porto Seguro a homenagem é para São Brás.
 

Queima do Judas

Esta é uma manifestação folclórica muito comum em cidades do Recôncavo e do Semi-Árido baianos como Cachoeira e Feira de Santana, embora aconteça em todo o estado como em Salvador, Lauro de Freitas, Dias D'Ávila. É realizada no Sábado de Aleluia desde o período da colonização, trazido pelos portugueses da Europa onde já era repetida.
Consiste na queima de bonecos de palha ou pano que representam o traidor de Jesus Cristo, seu discípulo Judas. Isto é feito em praça pública ou nas ruas da cidade e assistido por grupos de pessoas que festejam o castigo do traidor com risos e brincadeiras
Hoje, em cidades do interior da Bahia acontecem disputas entre grupos que confeccionam o boneco. São adicionados fogos de artifício aos bonecos que proporcionam belos espetáculos pirotécnicos e a eles são atribuídos nomes e culpas de personalidades mal vistas , principalmente políticas, que tornam o evento um momento de desabafo da população humilde e explorada do estado.
Antes da queima do Judas lê-se um testamento que fala sobre as pessoas presentes e que participam do evento e sobre a própria personalidade que o boneco representa.
Após a queima do Judas pode haver escolha do melhor boneco, de acordo com a qualidade do testamento e do espetáculo de fogos de artifício.
 

Samba de Roda

Segundo Vianna (1981), o Samba de Roda começou, provavelmente nos tempos da colonização, quando os negros, na sua primeira pausa para descanço, dançaram à moda da sua terra. O ritmo contagiante do samba marcado por palmas e passos excitantes fez com que, aos poucos, o samba saísse da senzala e fosse para as ruas e até para a casa dos brancos. Hoje, o Samba de Roda é freqüente nos mais diversos festejos baianos como o carnaval, por exemplo.
A dança do samba de roda em si é considerada simples, mas é preciso muito "molejo" para realizar com os pés ou passos marcados com as mãos. Existem passos específicos da roda que representam diversas atividades do cotidiano, como, por exemplo, o corta jaca paço no qual o sambista representa com os pés o ato de cortar uma jaca, retirar o "visgo" e recolher o caroço. Cada ação é representada por um conjunto específico de movimentos, sempre marcados pelas palmas dos outros sambistas. Outros exemplos são o miudinho, amarrado, barra-vento e sapateado.
A dança acontece quando ao som de samba forma-se uma roda com um sambista ao centro que apresenta sua ginga, dançando por algum tempo. Logo, ele desafia um componente da roda com um sinal como a umbigada ou um simples aperto de mão, que toma o seu lugar no meio da roda. Tudo transcorre ao som de marimbas, violas, pandeiros, ganzás, atabaques, berimbaus e outros instrumentos de percussão. Mas, o samba não deixa de acontecer por falta de instrumentos, pois o improviso é muito freqüente e até mais original. Na falta de instrumentos, facas arranham a borda de pratos, colheres são batidas como castanholas, pentes e papeeis são soprados e tampas de panelas são batidas com as pontas dos dedos, enquanto o tirador lança frases simples que são cantadas repetidamente.
O Samba de Roda é uma tradição em cidades como Cachoeira, Candeias, Santo Amaro, Muritiba e outras.
 

Presente de Iemanjá

Manifestação repetida todo dia 2 de fevereiro não em só em Salvador, mas em várias cidades baianas que têm contato direto com o mar ou com rios como Nazaré, Valença, Maragogipe, Itaparica e Vera Cruz.
O Presente de Iemanjá é uma manifestação religiosa que homenageia a deusa das águas para o candomblé, Iemanjá, no catolicismo, Nossa Senhora da Conceição. Na festa os fiéis oferecem presentes à deusa como espelhos, perfumes, jóias e flores para o alto mar em balaios enfeitados que são levados por embarcações de pescadores. O momento da saída para o mar é de festa , rezas, fogos de artifícios, palmas e manifestações dos "santos" apresentadas pelos fiéis. 
Diz a crença popular que, se no dia seguinte seu presente não estiver na praia, sua oferenda foi aceita e seus pedidos serão atendidos.
Em Salvador, a manifestação tornou-se mais conhecida e adquiriu características próprias. Além dos fiéis, das rezas e manifestações,existem hoje turistas e foliões que se juntam aos milhares na Enseada do Rio Vermelho para observar as homenagens e dançar ao som dos trios elétricos. A Oferenda de Iemanjá tornou-se uma das principais festas populares da cidade do Salvador atraindo turistas e renda aos mercados formal e informal envolvidos no evento.
 

Puxada de Rede

Mantida em poucas praias do litoral baiano, a Puxada de Rede é uma importante manifestação folclórica do estado com traços da cultura negra africana. Ela permite a integração entre os pescadores e a preservação de traços africanos na cultura do povo que vive do mar, já que toda a atividade da pesca realizada é acompanhada de danças, mímicas, poesias e cantos dos pescadores africanos trazidos para o Brasil.
A Puxada de Rede acontece entre outubro e abril, época em que os peixes procuram as águas quentes e rasas do litoral nordestino. Nessa época a pesca é realizada na beira da praia com uma gigantesca rede de arrasto e não em alto amor, como de costume. A armação e a puxada da rede são comuns em praias como Armação, Chega Nego e Carimbamba.
A grande rede usada leva ate mil metros de corda e cinco meses de trabalho para ficar pronta. Para manipulá-la são necessários 63 homens, 1 chefe , 1 mestre de terra , 1 mestre de mar, 20 catadores, 20 homens do mar e 20 homens da terra. A rede aberta liga barcos em círculo na água e homens na terra que, assim que encontram peixe puxam a rede à praia.
Cantos simples são repetidos como aqueles cantados pelos antepassados negros e alguns até se referem à terra de origem como Aruanda. A última canção entoada é sempre o canto de saudação à rainha do mar em agradecimento pelo sucesso da puxada.
 

Maculelê

Todo dia 2 de fevereiro é dia de Maculelê em Santo Amaro da Purificação, Recôncavo baiano. Segundo Maria Muti (1978), o Maculelê é uma mistura de dança e luta de origem negra e escrava eu tem em Santo Amaro o seu reduto e em mestre Popó o único mestre conhecido.
Vários estudiosos contestam a sua origem achando alguns que se trata de uma dança indígena, outros de luta negra.
Mestre Popó, mais antigo lutador de Maculelê reconhecido popularmente, diz que o Maculelê chegou da costa da África junto aos escravos, até os engenhos de Santo Amaro. Era uma mistura de luta e dança, defesa e ataque misturados aos cantos negros que disfarçavam a luta. Uma forma de treinar a luta sem despertar a desconfiança dos feitores, que só enxergavam a dança.
Para o Maculelê são usados três tambores (atabaques), agogô e ganzá que produzem o ritmo negro da dança. Um par de grimas é usado por cada lutador e u único pelo chefe, todos feitos de madeira polida. Cada integrante usa uma gurita na cabeça (touca de ponta), lenço no pescoço, camisa comum ao estilo africano, calca igual e pés descalços. Usam o rosto muito pintado de negro com a boca exageradamente vermelha e cabelos brancos de farinha de trigo.
A dança é composta de leves volteios e um levantar de pés sincronizados às batidas das grimas (a autora escreve diversas vezes esgrimas). Entre as músicas que acompanham poucas são aquelas usadas nas senzalas que eram cantadas em línguas africanas. Muitas foram criadas em Santo Amaro pelos filhos e seguidores de mestre Popó. Cada uma delas tem um significado e um objetivo Há música para sair às ruas, para a chegada ao local da apresentação, para saudação a Princesa Isabel pela libertação dos escravos, para Virgem Santa, par recolher doações chamada Ritual do Vaqueiro e aquela que tornou-se a que mais caracteriza o Maculelê: "sou eu, sou eu, sou eu Maculelê, sou eu..."
Mundialmente conhecido, o Maculelê de facão é rejeitado pelo grupo tradicional de Santo Amaro e foi criado por um dos filhos do mestre Popó, que também rejeita a adulteração da luta e justifica dizendo que se os negros possuíssem facões para lutar o Maculelê na senzala, não haveria escravidão. Teriam conquistado a liberdade à lâmina.
 

Marujada

Esta manifestação folclórica negra comum a várias cidades baianas como Paratinga e Jacobina data de mais de duzentos anos e embeleza as festas de santos católicos como São Benedito, protetor dos negros.
Segundo uma lenda de Jacobina, a marujada foi introduzida na região por duas famílias negras escravas descendentes de reis africanos, chamadas Caranguejo e Capim unidas a outra chamada Labatut. A exibição ligada a santidades católicas foi uma forma de mostrar cantos e danças negras discriminadas pela população e uma maneira de participar da vida social da cidade.
Durante a Marujada os indivíduos daquelas famílias pareciam importantes oficiais da marinha admirados por toda a comunidade, sendo na verdade simples trabalhadores braçais. Esse sentimento é ainda hoje motivador da realização da marujada nas cidades baianas onde a festa é uma tradição.
Hoje, como há anos atrás, o cargo de mestre, o mais importante da marujada é vitalício e só pode ser exercido por membros das famílias Caranguejo ou Labatut. Outros cargos como contramestre, general e capitão são distribuídos pelos interessados de toda a cidade.
Todo o grupo desfila em uniforme branco e azul, a farda que padroniza os componentes da Marujada. Os marujos e os calafates vestem-se com o mesmo uniforme, mas o mestre, o contramestre, o capitão e o general, cargos de destaque, usam outro uniforme e acessórios que diferenciam cada um deles e conferem destaque durante o desfile da Marujada.
O desfile é acompanhado de várias canções simples que se referem ao mar, a batalhas, a cidades portuguesas e ao santo homenageado. Ao final do desfile uma apresentação teatral encerra a comemoração e um último canto dá adeus ao dia festivo.
Findo o festejo, cada marujo volta a sua vida normal e ao anonimato, já que são integrantes das classes menos favorecida das cidades. Voltam para preparar a Marujada do ano seguinte, ainda mais atraente.
 

Boa Morte

A Irmandade da Boa Morte, formada por 22 mulheres negras devotas de Nossa Senhora da Boa Morte e dos orixás do candomblé, preserva em Cachoeira uma das mais antigas e solenes tradições do estado da Bahia. São mais de 200 anos de confraria, uma organização de leigos totalmente ligada a igreja católica, mas sem influencia direta de autoridades religiosas como padres.
Segundo as irmãs da Boa Morte, a confraria surgiu nas senzalas dos engenhos da Barroquinha, bairro antigo de Salvador. No início, eram três ou quatro mulheres negras escravas que se reuniam escondidas nos porões das senzalas ou cantos das casas grandes para discutir meios para libertar ou alforriar escravos. Por terem mais liberdade de locomoção, era mais fácil para as mulheres realizarem reuniões, o que pode explicar o fato de a irmandade ser constituída somente de mulheres.
A devoção a Nossa Senhora da Boa Morte nasceu com a confraria e residiu na igreja da Barroquinha até que a irmandade se transferiu, no início do século XX para a cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano. A crença católica retrata o desejo de libertação que a morte proporciona e que era esperada em vida pela libertação dos escravos.
A Boa Morte é uma manifestação folclórica que expressa claramente o sincretismo religioso tão presente na Bahia. As irmãs são devotas de a Nossa Senhora da Boa Morte e ao mesmo tempo fazem parte do candomblé como filhas e mães -de -santo. É necessário que se conheça e pratique o candomblé e o catolicismo para participar da confraria, mais que isso, é preciso que se saiba separar os dois.
A irmandade é uma sociedade fechada com hierarquia e cerimônias reservadas somente às irmãs. No entanto, há celebrações públicas como as procissões em agosto, mês da Assunção de Maria. É exemplo aquela em que as irmãs vestem sua tradicional beca, um traje de luxo composto de saia rodada plissada, pano de costa de veludo preto forrado de cetim vermelho ou roxo, jóias, adereços de ouro e chinelas brancas de couro.
 

Lavagem do Bonfim

A devoção ao Nosso Senhor do Bonfim teve seu início em 1745, quando foi esculpida a imagem semelhante àquela encontrada em Portugal e colocada no altar da Igreja de Nossa Senhora da Penha, em Itapagipe.
Em 1754, graças aos esforços da Irmandade devotado santo, foi inaugurada a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim no sítio chamado Monte Serrat que recebeu no dia 24 de junho do mesmo ano a imagem do Senhor do Bonfim.
A devoção ao santo fez milhares de fiéis e romeiros se dirigirem ao Bonfim durante todo o ano e em 1804 foi instituída a esta católica ao senhor do Bonfim realizada em janeiro, com ápice no 2º domingo depois do dia de Reis. Os rituais católicos duravam 10 dias, começando com novenas e encerrando com a realização de missas solenes e campais.
Anos depois, integrantes do candomblé, mães e filhas-de-santo, relacionando Oxalá, pai dos orixás, a Senhor do Bonfim, começaram a realizar uma das manifestações religiosas mais famosas da Bahia, a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim. Desde então, na segunda-feira seguinte ao domingo do Bonfim, as baianas vestidas a caráter saem da Igreja de Nossa senhora da Conceição da Praia e caminham 8 km até a sagrada colina, onde está a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, sempre acompanhadas de uma multidão de fiéis que inclui autoridades políticas e personalidades famosas. Carregando nos ombros potes ornamentados cheios de água de flores, ao chegarem a colina sagrada, as baianas lavam e enxugam com panos rendados as escadarias e o adro daquela que elas dizem ser a casa de Oxalá, entoando cânticos e rezas em línguas africanas.
São comuns os banhos de pipoca e as manifestações de "santos" em plena escadaria da igreja, sem intervenção alguma das autoridades católicas que respeitam e convivem com os rituais do candomblé.
Durante muitos anos a festa pagã foi acompanhada por trios elétricos, muita bebida e comida, no entanto, em 1998 os trios elétricos foram proibidos por descaracterizar a religiosidade da festa.
 

Bumba-Meu-Boi

O Bumba-meu-boi é uma das mais ricas manifestações folclóricas de dança dramática do Norte e Nordeste do Brasil. É chamado boi-bumbá na Amazônia, boi-surubim e boi-de-mão em Santa Catarina, mas mantém em todos os casos as mesmas características. Faz parte do ciclo natalino de festas religiosas e representa a morte e ressurreição de um animal como aconteceu com Cristo.
A dança e a coreografia consistem na sucessão de vários fatos relativos ao boi, contendo sempre um personagem que celebra a vida do animal. No meio da apresentação o boi é ferido e morto por um vaqueiro, mas ressuscita no fim. O fato é de grande alegria e regozijo dos participantes e expectadores e inicia uma festa com muito forró.
A principal personagem da festa é o boi feito de uma armação de madeira coberta de couro, veludo vermelho, azul ou preto bordado com vidrilhos, miçangas e linha dourada. Se o boi é pobre é coberto por chita ou outro tecido estampado. As outras personagens se vestem como vaqueiros e o povo sertanejo, com arminho, colete de veludo colorido e chapéu de couro.
O Bumba-meu-boi é muito comum nas cidades do sertão e do semi-árido baianos e acontece em cidades como Salvador onde existe um grupo que revive todos os anos os folguedos da festa. Outras cidades do Interior do estado como Amargosa, Canavieiras, Itambé e Cravolândia realizam a festa. 
 

Festas Juninas

Festa de São João, São Pedro e Santo Antonio são as mais alegres e populares manifestações folclóricas do Nordeste do Brasil. Embora sejam realizadas em vários estados do país, é na região Nordeste que apresenta traços marcantes da cultura, do comportamento e a forma de pensar da população.
Além dos rituais religiosos em homenagem aos santos do mês de junho, acontece entre os dias 13 e 29 manifestações da cultura popular nordestina influenciadas pelo catolicismo, candomblé ou por particularidades regionais, carregadas de simbologia.
A fogueira acessa no dia 23 e os balões coloridos hoje condenados pelos inúmeros incêndios que já causaram têm explicação religiosa e católica. A fogueira relembra aquela acesa por Santa Maria na ocasião do nascimento de João Batista, filho de sua prima Isabel, pra avisar aos amigos sobre o acontecido. Os balões eram usados pelos católicos como mensageiros de pedidos aos santos no céu. A estas estruturas incandescentes eram presos os pedidos de cada um que eram levados ao céu nas noites de festa.
A comilança, no entanto, era um costume pagão de festejo e preparação para as grandes colheitas. No Nordeste, a influencia dos negros e índios na cozinha é evidenciada pelo uso das sementes, do coco, do milho, da mandioca, da cachaça muito comuns a culinária desses grupos humanos. Milho e amendoim cozidos, batatas, bolos, canjicas, pamonhas e pipocas são pratos indispensáveis a esta festa que tem pouca influencia européias.
A cachaça, o licor, as danças, o forró e a quadrilha são genuinamente sertanejos. São as marcas da cultura nordestina impressas na festa assim como o são o linguajar, o figurino, a simpatia e a cordialidade dos participantes da festa.
As festas juninas são comuns a todas as cidades da Bahia, desde Salvador com seu famoso Arraiá da Capitá até cidades com tradição nesses festejos como Santo Antonio de Jesus que oferece atrações como o trezenário de seu padroeiro Santo Antonio, até o Semaforró, uma semana de puro foro nas proximidades do dia 24 de junho. São famosos os festejos de Amargosa, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Serrinha, Juazeiro e muitas outras cidades do interior do estado.
 

Capoeira

Segundo alguns autores a capoeira teve origem africana e chegou ao Brasil no século XVI, junto com os escravos negros. Segundo Oliveira (1989), alguns mestres de capoeira acreditam que foi uma criação africana no Brasil, mas a maioria afirma que veio da África onde recebia o nome de "jogo da zebra" e era praticada com violência. Fazia parte de um ritual de luta entre homens para conquistar meninas adolescentes.
Na senzala os negros disfarçavam a luta em dança, acrescentando a ela instrumentos musicais e movimentos cadenciados. Desta forma praticavam a luta sem levantar suspeitas podendo praticá-la depois contra os feitores e capitães-do-mato em fugas. O próprio nome capoeira surgiu do ato de essas lutas acontecerem em clarões da mata chamados capoeira, durante as fugas dos escravos.
Segundo relatos de antigos praticantes esta capoeira, luta dos tempos da escravidão é a capoeira angola, considerada a mais tradicional. Durante muito tempo a capoeira angola reinou como único estilo da luta, mas nos anos 30, o conhecido Mestre Bimba criou a capoeira regional a partir da capoeira angola. Segundo Oliveira (1989), há ainda a capoeira estilizada que surgiu a partir da regional, o que evidencia uma mudança constante na luta.
A capoeira angola e a regional apresentam algumas diferenças. A capoeira angola é de "ginga", mais abaixada, com jogo rasteiro, maior uso da esquiva e jogo de pernas, a maioria dos golpes é dado com os pés. A capoeira regional usa mais as mãos, o jogo é mais alto, luta-se com o corpo mais erguido e há golpes de braços, mãos e cabeça. Além disso, na capoeira regional existe uma espécie de graduação do indivíduo com sucessão de faixas que indica o grau de experiência e habilidade do capoeirista, algo semelhante às lutas marciais e diretamente influenciada por elas.
A capoeira angola valoriza os rituais e preceitos tradicionais da luta, prepara para a defesa, desenvolve a malícia, a calma e a rapidez do impulso. A capoeira regional é mais agressiva, valoriza o ataque e, por preocupar-se com a adequação da luta ao esporte, pouco valoriza os preceitos e extinguiu alguns rituais.

No começo do século passado a capoeira era praticada nos locais abertos em bairros afastados do centro, nas praças em ocasiões de festas populares e nos subúrbios de Salvador, além de cidades do interior como santo Amaro, Cachoeira e Nazaré. Durante muito tempo permaneceu recriminada e o capoeira, pessoa que joga capoeira, foi discriminado e temido como marginal. Com o passar do tempo a capoeira passou a ser aceita principalmente por causa da adesão de pessoas de classes favorecidas e por mulheres,no entanto o preconceito ainda existe. Mestres da luta como Pastinha e Bimba começaram a mostrar, aos poucos, que a capoeira é uma manifestação folclórica e artística, composta de belos e maliciosos movimentos, mas sem violência alguma.
A capoeira como mixto de luta e dança é sempre acompanhada por uma bateria, conjunto de instrumentos que produzem um som variado e peculiar formado por um berimbau gunga, um berimbau berro-boi, um berimbau viola, um ou dois pandeiros, um atabaque, um agogô, um reco-reco, e três caxixis,
acompanhados de tradicionais ladainhas repetidas pelos lutadores.
Ao som dos instrumentos e das cantigas os capoeiras repetem tradicionais passos da luta como ginga, rasteira, negativa, rabo-de-arraia, tesoura, meia-lua e suas variações ou criam novos passos. A roupa usada no jogo nunca foi padronizada, mas predomina o branco nos dias especiais de apresentação acompanhado de sapato de bico fino e brinco de ouro na orelha.
Hoje, o capoeira veste calca pantalona de algodão e camiseta com ou sem sapato.
A capoeira é comum em todas as cidades do estado e , seja a tradicional angolana ou a regional, aprendida nas ruas ou nas academias, é sempre um espetáculo aos olhos, ouvidos e ao coração de quem é capaz de sentir a magia dessa filosofia de vida.

 
 
 
 
 
 

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