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Segunda, 21/08/2017 - Hoje é dia de Omolu, Obaluaiê (São Roque e São Lázaro) Deus da cura de doenças. Contas pretas e vermelhas.
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Carnaval

A festa mais alegre e colorida da Bahia, o carnaval, é também hoje importante vetor econômico que envolve e beneficia a economia formal e informal ao mesmo tempo. Para o turismo, o carnaval cria grandes oportunidades como a ocupação dos hotéis, serviços de transporte, alimentação e outros. Seu resultado tem um forte fator de repique e pode ser explorado o ano inteiro, graças aos mega shows e carnavais fora da época no interior do estado.
Salvador recebe no carnaval milhares de turistas que movimentam, junto ao folião baiano, milhões de reais todos os anos.

Histórico

Segundo Loiola e Miguez (1996), o carnaval teve origem no Entrudo, jogos e brincadeiras realizadas nos quatro dias anteriores a quaresma e que chegaram ao Brasil junto com os portugueses. No Brasil, o entrudo consistia numa guerra de limões, água, ovos ou farinha, uma brincadeira onde os menos favorecidos se divertiam e promoviam, algumas vezes, atos violentos e confusões. Mas havia também os grupos negros que levavam às ruas as danças e musicas africanos ou inspiradas na África. Essa festa era considerada desordeira e perigosa pela elite, pela imprensa e pela polícia que combatiam e tentavam acabar com o entrudo, por ser uma festa popular e de grande participação dos negros.
Em oposição ao entrudo, existiam na cidade do Salvador e nas principais cidades do estado, os bailes particulares realizados nos clubes ou nas mansões onde a elite baiana dançava ao som de polcas e óperas, ostentando riqueza nas roupas e jóias que usavam. Os pobres e os negros não podiam entrar nesses bailes onde a alta sociedade baiana se protegia da agressividade dos entrudos e imitava o estilo do carnaval europeu.
Essas duas situações criaram e mantiveram por muito tempo o carnaval dividido por classe e raça. Os pobres e negros eram mantidos na periferia da cidade enquanto os ricos se divertiam nos mais atrativos pontos e festas da cidade.
Nos últimos vinte anos do século XIX o carnaval começa a substituir o entrudo, dando aos festejos de rua características européias e elitizadas. Foi organizada uma campanha promovida por setores da sociedade como polícia e imprensa, para a mistura dos dois estilos de folia que resultou em uma festa particular. O novo carnaval era mais organizado que os entrudos, quase tão luxuosos como os bailes e mais coletivo que os dois. Na verdade houve uma elitização do carnaval de rua.
Essa mudança foi marcada pela ocorrência de desfiles carnavalescos promovidos e patrocinados pela burguesia comercial local. Esses desfiles transformaram o povo em mero espectador de carros alegóricos e luxuosas fantasias que tomavam, aos poucos, o lugar das brincadeiras do entrudo. São desse período três famosos grupos carnavalescos da alta sociedade baiana: Fantoches da Euterpe (1883), Cruz Vermelha (1884) e Inocentes em Progresso (1900). Estes blocos e outros que começaram a surgir, brigavam pela preferência dos populares apresentando roupas e carros cada vez mais luxuosos em desfiles organizados até em temas específicos. Esses desfiles resistiram até o inicio dos anos 60 perdendo, aos poucos, lugar para o carnaval participativo da Bahia.
Com o tempo, o carnaval de rua das elites foi substituído pelos grupos de foliões organizados e afoxés que forçaram a elite a voltar para os bailes de clubes e mansões. Então, as ruas voltaram a ser ocupadas pelos grupos pobres e mestiços como na época dos entrudos. A volta dos grupos negros ao carnaval e seu crescimento em participação , antes suprimidos pelos grupos carnavalescos, caracterizou a fase chamada de africanização do carnaval. Dessa forma, os negros nagôs organizaram o primeiro afoxé do carnaval baiano, o Embaixada Africana, seguidos dos Pândegos da África. Os grupos negros desfilavam mostrando as roupas, músicas e costumes africanos. 
Esses grupos foram duramente criticados e perseguidos pela elite por meio da imprensa e da polícia que chegou a proibir qualquer manifestação da cultura negra acompanhada de tambores. Mas os afoxés persistiram em sobreviver às proibições e restrições, tornando-se símbolos da resistência negra contra o preconceito social e racial em Salvador.
Além dos afoxés também ocupavam as ruas as batucadas, espécies de orquestras ambulantes, que puxavam ou comandavam blocos e cordões de foliões organizados, os antecessores dos blocos de trio elétrico.
O carnaval de 1950 apresentou a mais importante inovação da festa baiana, que modificou completamente sua estrutura, dando-lhe as características tão particulares que lhe levaram ao sucesso. Em 1950, Dodô e Osmar, criaram o precursor do trio elétrico, um carro cheio de auto falantes ligados a instrumentos elétricos, chamado fobica, que tocava frevo pernambucano e movimentava os observadores. Eram chamados de "dupla elétrica", mas um ano depois a adesão de Aragão formou o "trio elétrico" - Dodô, Osmar e Aragão, nome que é dado hoje ao caminhão que carrega a banda a tocar pelas ruas da cidade.
O trio elétrico provocou uma revolução na festa de rua criando uma nova forma de brincar o carnaval: pular atrás do trio, dançando com movimentos livres e simples e ao mesmo tempo caminhando pelas ruas por onde o trio elétrico fosse passando. A partir de então, começou a ter fim o carnaval divido racial e socialmente, que separava ricos de pobres, negros de brancos, centro da periferia da cidade. O trio elétrico promoveu a conquista da rua, tornando-a comum a todos, um espaço igualitário onde não cabe a segmentação socio-racial. No entanto, o trio elétrico diminuiu a participação dos afoxés, superando-os em preferência junto ao folião. Durante algum tempo, trios e afoxés nem mesmo se encontravam e pouco se respeitavam nas ruas.
Segundo Loiola e Miguez (1996), é com o trio elétrico que o carnaval ganha características comerciais que marcaram a realização da festa, desde então. Por exemplo, o trio elétrico tornou-se um excelente veículo de propaganda e atraiu patrocinadores desde o ano de 1952.
Nos anos 70, o renascimento do Afoxé Filhos de Gandhi, fundado em 1949, marcou a volta dos blocos negros como importantes pecas na festa heterogênea do carnaval de rua em Salvador. Logo os blocos afros tornaram-se, junto com os trios elétricos, importantes símbolos do carnaval baiano, conhecidos e admirados pelo mundo inteiro.
A partir da metade dos anos 80, com o surgimento dos blocos de trio, o carnaval baiano adquire contornos de sua configuração atual, Torna-se uma grande fonte de emprego e renda para a população e passa a ser visto como um grande negócio pelas instituições públicas e privadas que se desenvolveram à sua volta.
Os blocos privatizaram o trio elétrico com suas cordas de isolamento e abadás diferenciados. A manutenção da estrutura de um bloco de trio custa caro, encarecendo o custo na participação desses blocos. Por isso, somente aqueles que podem pagar caro, podem participar do carnaval de bloco. Isso promoveu a elitização do carnaval de rua outra vez, onde ricos brincam protegidos em blocos com cordas e seguranças e pobres e negros chamados pipocas que pulam atrás de trios independentes. O trio de blocos, no entanto, promoveu importantes mudanças benéficas para o carnaval de Salvador. Foi o bloco de trio que criou o axé music, estilo que popularizou a música negra baiana modificada em arranjos "eletrizados". O axé music teve grande aceitação não só na Bahia, mas em todo o país e expôs de maneira mais eficiente o carnaval baiano em redes de radio e televisão de todo o Brasil.
Segundo Miguez (1998) os blocos afros e de trio passaram a se organizar como empresas e a explorar o comércio fonográfico, da moda, da propaganda e etc. Com o passar do tempo, a entrada do artista baiano no mercado cultural nacional deixa de depender de sua ida para os estados do Sudeste. O produto cultural baiano atrai o mercado e o próprio estado passa a ser produto atraindo muitos investimentos em relação a produção cultural. Os artistas baianos passaram a fazer parte do mercado cultural nacional e internacional, a exemplo de Daniela Mercuri e o Olodum.
A passagem do carnaval folia para o carnaval negócio gerou a chamada indústria ou economia do carnaval, que produz bens e serviços simbólicos. Vende-se a alegria, a festa, a satisfação pessoal, a paixão, os romances, a beleza, a amizade e todo tipo de produtos lúdicos através de pacotes turísticos para as cidades de Salvador e outras com carnaval fora de época, como Feira de Santana. Mas, também produz bens e serviços não tão lúdicos, mas necessários e bastante rentáveis. Vendem-se roupas, bebidas, comidas, vagas em hotéis, transportes e muito mais. E os foliões compram tudo, compram das grandes empresas e dos vendedores ambulantes, geram renda para o comércio organizado e gigantesco chamado formal e para o não pequeno mercado informal.
Hoje, o carnaval baiano reúne mais de um milhão de pessoas nos horários de pico em 10 km de circuito oficial, que exige uma infra-estrutura cada vez mais eficiente. São centenas de shows, mais de 70 trios, banheiros públicos, postos médicos, postos policiais, restaurantes e hotéis a disposição dos foliões, turistas ou não, que gastam mais de 6 milhões de dólares na festa. Enfim, é uma rede de serviços que geram uma imensa quantidade de empregos e divisas para o estado. É uma enorme fonte de lucros e negócios sempre bem sucedidos, que beneficia principalmente as empresas ligadas ao turismo no estado da Bahia.

 
 
 
 
 
 

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