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A
praça surgiu em 1930, quando a Igreja da Sé
e um quarteirão inteiro de casarões dos séculos
XVII e XIX, foram demolidos para implantação
da linha de bonde elétrico. |
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| Praça da Sé |
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| Prédio
da Cia de Energia Elétrica da Bahia |
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Da
"cadéia de sebo" trazida pelos homens
de Thomé de Souza para iluminar as primeiras noites
da Cidade do Salvador até a moderna tecnologia
de geração e distribuição
de energia elétrica, o caminho da energia na cidade
tem sido longo e cheio de muitas e boas histórias.
Daqueles primeiros artefatos rudimentares de cerâmica
aos mais sofisticados feitos em latão, passamos
à lâmpada de óleo de baleia.
Os cetáceos, tão abundantes na costa e mesmo
dentro da Baía de Todos os Santos, logo tiveram
o seu azeite industrializado.
Os engenhos passaram a trabalhar à noite, dobrando
a produção do açúcar, e exigindo
mais e mais combustível para a iluminação.
O negócio do óleo de baleia florescia e
multiplicavam-se as "armações"
de pesca: do Saraiva, do Carimbamba, de Itapuã,
de Manguinhos, etc.
Destas casas de pesca, situadas na orla marítima,
ficaram os testemunhos da residência do armador
Manoel Inácio da Cunha Menezes. Mais tarde essa
casa foi adaptada para servir como sede do Aeroclube da
Bahia, sendo depois demolida. E a "casa de pedra",
onde eram guardados os apetrechos e processado o óleo
para lâmpadas e o espermacete para "velas de
libra" de uso privilegiado.
O óleo foi iluminação exclusiva até
1848, quando surge a primeira proposta de utilização
do gás destilado do carvão de pedra.
Chegávamos tarde, pois desde 1813, Paris já
adotara o sistema e era, por isto, chamada a "cidade
luz".
Tudo porém ficou no projeto e só em 1º
de junho de 1862 é que Salvador teve sua iluminação
iniciada companhia The Gas Company Ltd, com o seu gasômetro
na rua do noviciado.
Ao mesmo tempo desenvolvia-se a lâmpada de acetileno,
sobretudo nos bairros afastados e nas vilas e cidades
do interior, difundida, principalmente, por ser a "iluminação
oficial" da malha ferroviária que se implantava.
O começo do século XIX marca o início
da iluminação a querosene. A velha "cadéia"
é reeditada nas formas rudimentares dos "fifós"
e nas formas sofisticadas dos "candeeiros belgas".
Com eles chegamos ao século XX e ao início
da energia elétrica aplicada à iluminação.
Chegamos aos tempos das disputas entre o grupo empresarial
canadense Bond and Share e a associação
de Guilherme Guinle com Cândido Gafrée, que
terminam por fundir os seus interesses na Companhia de
Energia Elétrica da Bahia e na Companhia Linha
Circular de Carris da Bahia, primeiro com a geração
termoelétrica da Usina da Preguiça e, mais
tarde, com o pioneiro represamento do Rio Paraguaçu,
em Bananeiras.
O prédio da Circular, sede da The Bahia Tramway,
Light & Power, da CEEB, da Companhia Telefônica,
da COELBA é um pedaço vivo da história
de Salvador do final do século XIX aos nossos dias.
Agora restaurado pela sua nova e definitiva proprietária,
num esforço de preservação do patrimônio
do Centro Histórico da Cidade e da sua integração
nas atividades da empresa ele é testemunha do espírito
empreendedor de homens do gabarito e renome como Ramos
de Queiroz, Joaquim Gonçalves, Antônio Lacerda,
que foram introdutores dos bondes, dos planos inclinados,
da energia elétrica e, mais tarde, dos transportes
urbanos movidos a eletricidade.
Sede mais uma vez da primeira empresa de energia elétrica,
responsável pela eletrificação urbana
e pela mudança e evolução do parque
industrial baiano, o prédio da COELBA destaca-se
na paisagem da Praça da Sé, pela sua concepção
e linhas. Ele conta sua história de 100 anos em
todos os seus detalhes, com todos os requintes de um projeto
inédito em sua época.
Ele, por exemplo, foi o primeiro a utilizar lajes de concreto
armado e o pioneiro pela instalação de um
elevador, hoje o mais antigo em funcionamento em Salvador,
para uso exclusivo de seus clientes e funcionários.
Integrado totalmente paisagem arquitetônica, o edifício
funde-se com a própria história da Bahia
e puxa pela memória, evocando momentos de mudanças
econômicas, políticas e sociais.
Uma nova Bahia surge e desfila à sua porta, revelando
sua importância dentro do panorama nacional, e que
assume posições de vanguarda empreendendo
e incorporando desenvolvendo tecnologias.
Sua história relembra do namorico na saída
do Plano Inclinado, bem ao seu lado, nos fundos da Catedral,
do "dedo" de conversa fiada na sua esquina,
do movimento do "quebra-bondes" nos idos de
1931 e dos "yankees", apelido dos funcionários
da Tramway, Light & Power, dos filmes mudos do Cine
Excelsior, do "Mister Kilowatt", personagem
da campanha publicitária da Companhia de Energia
Elétrica da Bahia, que lutava para mudar o nome
de uma empresa que uma Salvador inteira teimava em chamar
de "Circular".
Essa memória de Salvador está presente no
edifício da COELBA ,viva e preservada.
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