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Segunda, 21/08/2017 - Hoje é dia de Omolu, Obaluaiê (São Roque e São Lázaro) Deus da cura de doenças. Contas pretas e vermelhas.
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Música Ao Alto

Paulo Gugu, jornalista e seresteiro, que reina nos lados de Paulista, já teve seus tempos de boleiro. Foi aspirante do Botafogo, quando em General Severiano só havia cobra, daquelas bem-criadas. Convenhamos, Paulo Gugu não era tanto assim, mas sabia das coisas. Andou também pelo Náutico, mas como tinha outra atividade fora de campo, logo descalçou as chuteiras para cuidar da vida.

Os treinos do Botafogo, conta Gugu, começavam às quatro da tarde – havia apenas um treinamento por dia, com ou sem bola, como era praxe em todos os times no Brasil. Muitos jogadores eram funcionários públicos e davam expediente até as 13 horas, como o próprio Gugu, que trabalhava no extinto IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários). O zagueiro Beto era do IAPTEC (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Trabalhadores em Empresas de Cargas), e o preparador Paulo Amaral pertencia à Polícia Especial. O dinheiro não corria aos borbotões, como hoje, e neguinho tinha que se virar.

Todas as tardes, enquanto os jogadores esperavam que a dupla João Saldanha/Paulo Amaral desse as ordens, ficavam sentados naquela rodinha que existe em todos os clubes, ouvindo os casos contados por Didi e Nílton Santos, e às vezes Garrincha, quase sempre sobre as aventuras dos campeões do mundo na Suécia. Didi era o maior contador de causos e suas histórias versavam geralmente em Mané. Zagalo só fazia ouvir.

Na viagem para disputar a Copa do Mundo de 58, antes de chegar à Suécia, a seleção brasileira fez uns amistosos na Itália, onde Garrincha comprou um chapéu para seu pai. Com receio de machucá-lo, não o tirava da cabeça, fosse aonde fosse. Nem o austero chefe da delegação, Carlos Nascimento, conseguiu demovê-lo. Mané só atendeu mesmo a Nílton Santos, por quem tinha muito respeito.

Na véspera da final com a Suécia, todo o mundo nervoso, por volta de uma hora da madrugada, a Comissão Técnica, reunida, trocava idéias sobre a melhor maneira de enfrentar os suecos. De repente, ouve-se um barulho de música alta.

Carlos Nascimento pede para Mário Trigo, dentista da delegação, descobrir quem estava ouvindo música àquela hora.

O som saía do apartamento de Garrincha, que morava sozinho. Por causa de seu espírito perturbador, ninguém queria ter a sua companhia.

Doutor Mário Trigo bateu na porta com muita delicadeza e quando Garrincha abriu, o dentista procurou ponderar: “Mas, Mané, amanhã é a final com a Suécia, a dona da casa, e você ouvindo Nélson Gonçalves a essa hora?”

O homem das pernas tortas retrucou em em cima da bucha: “E daí, doutor Trigo, quem vai jogar, sou eu ou Nélson Gonçalves?”




 

 
 
 
 
 
 
 
 
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