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Segunda, 26/06/2017 - Hoje é dia de Omolu, Obaluaiê (São Roque e São Lázaro) Deus da cura de doenças. Contas pretas e vermelhas.
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A Outra Face da Moeda

Raro é o mês que não faço uma visita a Portugal. Algumas vezes lá passo só três dias trabalhando, revejo os amigos, escutamos fados, bebemos e comemos como só em Portugal se faz.
Creio mesmo que, na área do turismo, sou o brasileiro mais conhecido do ultra-mar.
Ultimamente venho acompanhando com apreensão as críticas dos portugueses às modificações da casta linguagem, hábitos e costumes com o modismo brasileiro causado pelas transmissões da TV - novelas e programas humorísticos - principalmente entre os jovens. Sempre escutei calado às lamúrias dos portugueses.
Mas quando li no jornal Publituris o artigo do meu caro amigo, professor Humberto Ferreira, sob o título "Temos a animação que merecemos", e no número seguinte a do ilustre jornalista da Ilha da Madeira, Arlindo F.da Silva, "Carnaval foi sucesso", não contive o desejo de mostrar a outra face da moeda.
Para início de conversa, devo dizer que concordo plenamente com eles quando escrevem: 
"Agora não há autarca de qualquer vitória que não se orgulhe de organizar festas de carnaval segundo um figurino de importação" made in Brazil. Contrataram artistas brasileiros de telenovela, que para justificar o cachê em dólares, basta sorrirem e acenarem. Subsidiam escolas de samba, como se em Portugal não houvesse tradições carnavalescas: as cegadas, as brincas de Alentejo, as batalhas de flores, as marchas, os concursos de máscaras... Todos, de uma maneira geral, são coniventes a esta descaracterização da cultura popular portuguesa".
O intelectual Arlindo F. Silva critica a sua coluna:
"Carnaval carioca, escolas de samba, muita música, muito brasileirismo, mas pouco ou nenhum regionalismo…Por que fazer uma imitação medíocre do Carnaval brasileiro, repetitivo, quando já demonstramos o que poderíamos fazer com motivos regionais?"
Os jornais portugueses também caíram de pau em cima do presidente Mário Soares só porque ele, ao desembarcar recentemente no Brasil (com pequena comitiva de 150 pessoas), respondeu a um repórter:
- "Portugal está numa boa".
Isabel Soares, filha do presidente declarou: 
- "Estamos sendo colonizados por vocês. Os portugueses falam em transar, que está legal, que tiveram um troço".
Vamos depois deste preâmbulo, finalmente, "à Outra face da moeda".
Quando Cabral aqui chegou em 1500 e "descobriu" o Brasil, tomando posse da terra em nome do Rei de Portugal, foi recebido no litoral sul da Bahia por índios e índias, todos nus, que naquela manhã ensolarada tomavam banho de mar nas mornas e azuis águas tropicais. Alguns índios tocavam flauta imitando o canto dos pássaros, as belas índias, com flores de hibiscos nos cabelos, imitavam com gestos as coloridas borboletas.
Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, em sua carta ao Rei Dom Manoel (o primeiro documento escrito sobre a História do Brasil), logo imaginou a nação do pecado, e visualizou o filme pornô.
"A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados de bons rostos e narizes bem feitos. Andavam nus, sem cobertura nenhuma. Nem fazem mais caso de cobrir ou deixar de cobrir suas vergonhas do que mostrar a cara".
E, como castigo, nos mandaram os jesuítas… Não é muito pior do que uma hora de telenovela por noite?
Em tempo: Os jesuítas de hoje em dia são tão inocentes quanto garotos de primeira comunhão. Depois, vejam você
s, de saída mudaram nossa língua, o Tupi, e a nossa bela religião, onde adorávamos vários deuses como:
Jaci - a lua
Guaraci - o sol, mãe de todos os homens
Uirapuru - deus dos pássaros
Rudá- deus do amor e da reprodução
Aí, vieram com Cristo de Jerusalém e papas do Império Romano.
Ah, que linda metamorfose! A nação indígena brasileira, com cerca de quatro milhões de habitantes, vivia em casas chamadas de oca, cobertas de palha, frescas e arejadas, em baixo de lindos coqueirais e frondosas mangueiras, sempre à beira-mar ou junto de um grande rio. Lá os homens caçavam e pescavam, as mulheres cuidavam da lavoura e das crianças. Um homem possuía várias mulheres, convivendo todos em perfeita harmonia, entre cantos, danças e mitos religiosos.
Mudaram tudo. Construíram fortes com canhões e casas com janelinhas. Os homens passaram a usar paletó e gravata, e as mulheres espartilhos. E vocês protestam da força das novelas, que está a mudar os costumes de Portugal?
Mas, vamos de volta à divertida carta de Pero Vaz de Caminha: "E mandou com eles, pra lá ficar, um mancebo degredado, criado de Dom João Telo, de nome Afonso Ribeiro, prá lá andar com eles e saber do seu viver e de suas maneiras".
E assim começou a colonização do Brasil: com um degredado, que curtiu adoidado uma índia e com ela se mandou terra a dentro. Depois vieram centenas de degredados de Portugal e de todo o seu império, onde o sol nunca se punha. Transformaram o Brasil numa grande penitenciária!
Vocês já pensaram se o Brasil agora fosse à forra e degredasse para Portugal todos os bandidos, gângsteres, mafiosos, assaltantes e assassinos que temos? Olhe que são milhares - e dos bons! (Freud, genética ou hereditariedade dão a explicação?). Se juntarmos a eles os ladrões de colarinho branco, os aviões da TAP e da VARIG não vão dar conta.
E vocês estão preocupados como o folclore?
Tentaram transformar em escravos os altivos índios, para trabalharem nas minas de ouro e extração do pau-brasil. Alguns degredados logo se tornaram milionários exercendo a profissão mais rendosa na época: caçadores de índios. Transmitiam também aos indígenas doenças européias, como a sífilis, o sarampo, a gripe, a varíola. Nações inteiras foram dizimadas e massacradas, como os Caetés, Goitacazes, Aimorés, Tamoios, Tapuias e Timbiras. E vocês se queixam das lindas garotas da TV Globo que aí vão desfilar no Carnaval?
Como a História não é meu forte (sou simples agente de viagens), ia me esquecendo do famoso "Tratado de Tordesilhas", que mesmo antes de Cabral aqui chegar, em 1494, dividiu o Brasil em dois: a oeste meridiano doidivano e imaginado, pertencia a Espanha, e as terras a leste (cortaram o Brasil em dois, como uma melancia), a Portugal.
Bem, dizem que correu muito dinheiro nesta marmelada e que até o papa Alexandre VI levou uma grana forte para abençoar o Tratado em Bula Inter-Coetera. É o caso de se dizer: Dá-lhe Brasil. Agora é nossa vez, vamos pagar a monumental dívida externa e do petróleo, dividindo Portugal ao meio, e dando metade do Norte para os USA e o Sul para os Xiitas.
Vocês sabem como começaram no Brasil as mordomias, o empreguismo e o pistolão (cunha)?
Na própria carta de Pero Vaz de Caminha, que termina dizendo: "E pois que, Senhor é certo que tanto neste cargo que levo em outra qualquer coisa que Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, e a Ela peço que por me fazer singular mercê, mande vir da Ilha de São Tomé o Jorge Onó rio, meu genro - e que d`ela receberei em muita mercê.
Deste Porto Seguro de Vossa Ilha de Vera Cruz hoje, Sexta-feira, primeiro de maio de 1500. (a) Pero Vaz de Caminha
Vejam só, nem tudo é literatura. Além de puxa-saco do Rei, o escriba queria em 1500 iniciar o lobby e a era dos apadrinhados, nomeando o seu genro governador geral do Brasil, desgraça herdada que aqui pendura até os dias de hoje, o que felizmente não existe mais em Portugal…
Dizem que em 1534, Portugal estava em difícil situação econômica (o que certamente não acontece hoje em dia), e como não podia colonizar o Brasil, achou situação muito atual. Parentes e amigos do Rei Dom João III receberam as terras do ultra-mar grátis, para hereditariamente usufruírem. Eram as Capitanias Hereditárias. Foi um fracasso total. Nem o meu ancestral Duarte Coelho Pereira, que ganhou de mão beijada Pernambuco e parte do Nordeste (área maior que Portugal e Espanha) quis enfrentar os índios e meter os peitos no trabalho. Alguns nem vieram tomar posse da terra. Continuaram na corte, como milionários, arrecadando os impostos estabelecidos de 1/5 sobre metais e 1/10 sobre a exploração da madeira e produtos agrícolas. E daí pra cá, nós passamos a viver no maior sufoco com taxas e impostos.
Só dizendo como Jô Soares: - "Um espanto!"
Vocês já imaginaram um general brasileiro reunir os companheiros de tropa e dizer:
- Coronel Duarte ! Tome posse do Minho, Porto, Alto-Douro e as terras até Serra da Estrela!
- Tenente-coronel Lima! Você é donatário do Algarve!
- Major Hélio! Em nome do general, ocupe Évora e todo o Além-Tejo, que de agora em diante pertence a seus herdeiros e sucessores. Arrecade impostos, e quem não pagar - forca! Faça também catequese, ensinando aqueles selvagens o ritual da macumba.
E vocês estão reclamando das sensuais mulatas brasileiras que vão rebolar seminuas em Portugal no Carnaval? Aguardem o próximo Carnaval: só usarão desodorante…
Além do mais, nós índios brasileiros, tínhamos como menu as mais saborosas frutas tropicais, peixe assado na brasa e caça no espeto - e os portugueses chegaram com as frituras que liquidam qualquer fígado.
Quando a barra ficou pesada, Dom João VI, em 1808, fugindo de Napoleão, chegou ao Brasil com a Família Real e mais 15 000 agregados. Desembarcou na Bahia e fez um city tour, escolhendo as melhores casas para sua corte, mandando colocar na porta de todas elas um grande "PR", que queria dizer "Príncipe Regente". O nosso povo logo traduziu como "Ponha-se na Rua", já que o feliz proprietário deveria imediatamente desocupar a habitação para acomodar a Família Real e seu séquito. Ah, se nós fizéssemos o mesmo nas belas residências da Estrela, Cascais e Estoril…
O povo brasileiro ainda pagou nove dias de festas para a Grande Excursão de Dom João VI. Festival maior só se viu recentemente com a comitiva do presidente Mário Soares, quando foram 13 dias de banquetes por todo o Brasil (talvez a inflação). Aliás, a comitiva ficou conhecida aqui como a "Escola de Samba Unidos do Soares". Com todo o respeito.
Amigos portugueses: aceitem sem revolta a integração cultural e corporal com as deliciosas mulatas que são consideradas a maior invenção portuguesa de todos os tempos. Vocês sabem o que restou de nossas danças e folclore genuinamente tupi? Nada!
No Brasil se dança o samba, maculelê, maracatu, etc, que vossos escravos negros trouxeram da África, e em todo País as vossas danças e festas, como Reisado, Ciranda, Pezinho (creio de que dos Açores), Dança das Argolas e Fitas, Festa do Divino, Mouros (?) e Cristãos, Cana Verde e dezenas de outras manifestações populares.
Ah! Seu Cabral…você é o culpado! Suas caravelas entraram na contramão do Atlântico. Vocês sabem o que em 1765 o Marquês de Pombal armou pra cima do Brasil? Foi o maior bá-fá-fá quando …bem, deixa isso prá lá, que eu vou parar por aqui nos idos de 1800. Daí por diante foi muito pior.
Pra finalizar, meus queridos irmãos portugueses, sigam o nosso exemplo, não reclamem, nós agüentamos 400 anos. Agora é o retorno das caravelas, os papéis se inverteram. Melhor dizendo, façam suas reclamações daqui a 400 anos.




 

 
 
 
 
 
 
 
 
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