:: Visite a Bahia ::
     
     
Segunda, 21/08/2017 - Hoje é dia de Omolu, Obaluaiê (São Roque e São Lázaro) Deus da cura de doenças. Contas pretas e vermelhas.
Documento sem título
Variedades
Casos e Causos
Personalidades
O que Levar

 
 
 

Futebol, Carnaval e Empresa

O controvertido desempenho da seleção Brasileira na Copa do Mundo, além da projeção do país no cenário mundial também nos permite algumas reflexões de caráter interno. E esta análise pode ser complementada por um outro grande espetáculo da cultura popular brasileira que é o carnaval. Em ambos é possível observar o quanto o resultado final depende da capacidade de se aliar uma visão e desempenho de conjunto ao mesmo tempo em que se preservam as individualidades. E com certeza este é um grande ensinamento para todas as empresas que pretendem atingir o sucesso como algo permanente. E vale sempre lembrar que sucesso não é apenas uma questão de fama. Esta é passageira e altamente volátil. Entende-se que o sucesso de uma empresa envolve acionistas, clientes, colaboradores, concorrentes e comunidade.

A descoberta do valor agregado deste “jeitinho brasileiro” já é observável em algumas empresas nacionais que vem conseguindo sucessos com um estilo mais informal de administrar. Vejam os “causos” que estão se tornando referências como Brahma, D.P.Z., Natura, TAM, Casas Bahia, Maurício de Sousa, Método Engenharia, Clínica São Vicente e Grupo Ancar, entre muitos outros. O que estas empresas possuem em comum, além do sucesso, é que descobriram em algumas das manifestações da cultura brasileira estilos de gestão que podem funcionar muito bem numa época global. Sem desconhecer todo o arsenal de técnicas e gurús de outras realidades percebem que há algo que nos torna peculiares e internacionais ao mesmo tempo.

O dever não é incompatível com o prazer. Assim como informalidade rima com produtividade, rentabilidade e felicidade. Ou desmentindo a falsa premissa que o coletivo impede destacar a individualidade. A antropóloga Maria Julia Goldwasser, deslumbrada como muitos de nós com o espetáculo de sons e cores da Escola de Samba decidiu estudar o fenômeno e publicou um livro chamado “O palácio do Samba - Estudo antropológico da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira”. Concluindo que a Escola de Samba é um dos maiores exemplos do “cáos estruturado que produz resultados de uma beleza incomparável”, ela faz uma análise do espetáculo na sua representatividade empresarial e da solução coletiva que não é incompatível com a satisfação dos seus componentes como indivíduos.

Diz ela literalmente que “a Escola em si é uma totalização dessas duas tendências: o desfile de Carnaval como sistema de ação ritual e a organização formal da Escola como sistema de ação técnico-racional se projetam como modelos simétricos e inversos na mesma estrutura... A ação técnica da Escola se traduz num processo de burocratização ainda incipiente que é ditado pelas exigências de uma organização empresarial em formação.”

Prossegue dizendo que “existe uma relação de necessidade entre a Escola-Empresa e a Escola-Desfile em seus respectivos graus de estruturação: é da dramatização que se encena no Desfile que se deriva o significado de toda prática efetuada no decurso do ano, enquanto na Escola-Empresa geram-se os recursos necessários à efetivação deste.”

“A Escola de Samba se estrutura sobre o tríplice fundamento de uma execução sambística completa. Isto é, canto, dança e acompanhamento rítmico. E quando a Mangueira desfila elas se materializam em Ala dos Compositores, Ala da Bateria, etc. Todas estas “alas” funcionam subordinadas à Diretoria da Escola e Comissão do Carnaval. Esta constitui-se na estrutura organizacional da Escola.”

E o resultado final deste processo todos apreciamos na beleza dos desfiles na Marquês de Sapucaí bem como na alegria dos seus componentes.

Vejamos agora alguns depoimentos de empresários nacionais que adotaram a informalidade como filosofia e estilo em suas empresas.

Francesc Petit, um dos sócios das agências de publicidade mais reconhecida do Brasil, que acaba de completar 30 anos, define sua empresa como uma “confraria anarquista.” E descreve uma situação interessante no livro “Manual de sobrevivência para sócios e herdeiros” que escrevi juntamente com Joaquim Castanheira, da seguinte forma: “Um dia nós da DPZ recebemos a visita de um cliente americano. Preparamos uma apresentação vistosa e criamos um ambiente solene no qual todos estavam falando inglês. No meio disso tudo, estava o candidato a cliente americano, cabelo branco, sapatão grande, acompanhando a exposição. Aí, chegou a hora de mostrar o organograma. O americano olhava e não entendia muito bem. Em determinado momento perguntou: “Como funciona o organograma?”. E pegos de surpresa respondi: “Olha, funciona como Deus quer, porque nós não temos a mínima idéia”. Todos no salão caíram na gargalhada, inclusive o americano. Nós ganhamos a conta”.

Outro depoimento interessante no mesmo livro é o de Hugo Marques da Rosa, um dos sócios da Método Engenharia, onde ele diz que “nosso conceito de empresa era, desde o início, diferente. A empresa é um veículo social. Na sociedade capitalista moderna, a empresa deixa de ser apenas uma atividade econômica. Ela se transformou muito mais em um lugar, um meio onde as pessoas vivem e convivem, se realizam, trocam experiências. Hoje elas vivem muito mais nas empresas do que em suas próprias casas. As empresas têm que suprir as necessidades de seus funcionários. Daí surgiu um mandamento da nossa sociedade: não vale a pena ganhar dinheiro se for um negócio chato e desgastante”. Quem leu na edição 665 da Exame as matérias sobre a Natura e Brahma encontra lá também contundentes defesas da informalidade e seus resultados positivos.

Entretanto é bom sempre lembrar que estes casos merecem destaque não apenas pelos méritos próprios mas também porque ainda se encontram no campo das exceções do mercado empresarial brasileiro.

Sobrevivem ainda, e com certeza apoiados em situações localizadas como mercados regionais, desemprego ou falta de concorrência, empresas onde as relações com funcionários e clientes não se pautam por atitudes muito amistosas.

Exemplo recente tivemos com uma das grandes companhias aéreas brasileira que no período de férias cancelou vôos e apelou para uma venda de passagens acima da capacidade da sua frota. Mas o curioso é que na hora em que os passageiros reclamavam os funcionários se tornavam seus aliados nas queixas contra seus “patrões”. E exatamente utilizando o termo “patrão” quando se referiam aos controladores da companhia que os tratam com grande desprezo.

Uma análise das empresas nacionais que desapareceram do cenário nos últimos cinco anos é também exemplo de políticas, relacionamentos e interesses opostos entre acionistas, gestores, funcionários e clientes.

Estamos cada dia mais distantes da época em que os executivos ficavam encastelados nos seus redutos e acessíveis apenas por elevadores exclusivos ou após longos “chás de cadeira” controlados por secretárias que eram mais “cães de guarda” do que assistentes profissionais. Em muitas empresas inclusive o “andar da diretoria” era conhecido como “Olimpo” e dava margem à um folclore de piadas e “fofocas” que desviava boa parte da eficácia da equipe de trabalho. Além de acirrar disputas por preferências e jogos de poder.

Tratar funcionários apenas como “centro de custos” ou clientes como um “mal necessário” já era. Que o digam os antigos “cartórios” e seus administradores, como muito tempo se comportaram revendas de veículos, estatais ou concessionárias de serviços públicos, companhias aéreas, grandes redes de varejo, prestadores de serviços e fabricantes em geral que contavam com mercados cativos sem a concorrência, fosse ela nacional ou estrangeira.

Muito ainda falta mudar no Brasil. Mas já não vale mais a alegação de que nossas condições são diferentes dos outros países. As mudanças entre o nosso próprio empresariado, utilizando comportamentos e técnicas da nossa realidade estão transformando este cenário. E sob formas eficazes e dignas de serem observadas.

O que parece ficar claro neste conjunto que engloba empresa, futebol e escola de samba é que precisamos olhar com mais atenção e menos preconceitos para alguns traços da nossa cultura na busca de modelos mais adequados a nossa realidade. Sem deixar de lado o que vem ocorrendo em outras realidades geográficas e culturais.

A visão sistêmica de uma empresa que envolve funcionários, colaboradores, clientes, acionistas, comunidade e concorrentes demonstra que não existem antagonismos em algumas destas dualidades: Rentabilidade e satisfação; Produtividade e alegria; Sucesso e felicidade; Dever e prazer. Lideranças comprometidas com estas conjugações e desafios poderão tornar nossas empresas em entidades vivas, dinâmicas e duradouras. E quem sabe até mesmo referências internacionais como tornou-se o nosso carnaval através das escolas de samba que dão lucros, estrutura, empregos e alegria a este evento




 

 
 
 
 
 
 
 
 
SHOPPINGVISITEABAHIA

 

Documento sem título

Copyright 2004 -VisiteaBahia.com.br

Todos os direitos reservados à visiteabahia.com.br * É totalmente proibida a cópia total ou parcial desse site.